terça-feira, 5 de abril de 2011

Matriz, [des]conexão ou Conjunto dos Complexos

Na intersecção de colunas e linhas
Encontra-se uma incógnita
Descrevendo neologismos em logaritmos
Especificamente nas linhas limítrofes matriciais

Do tempo muito ocupado,bem preenchido
Por outras coisas que se não é dado compreender 
E de dizeres atentos à perturbação do ritmo
A matemática está caindo,despejada,em entrelinhas

Arduamente lapidados e possíveis
Desobedecendo as leis reais intrínsecas
Numerais do imaginário vêm em verso, são absorvidos

Seus conjugados transmutam-se em verbos...
...impessoais : relampejam e trovoam,impudicos
E depois somem-se no devir da existência 

À Cláudia Gomes

M i o c á r d i o


O músculo polissêmico
Devotamente se enlaça
Em seus fonemas substancializados
Açucarados

Sintaticamente recombinam-se
Por interferência de figuras
São linguagem - verbo feito carne
Verbo que desnuda a essência

Chove; a fragilidade se desmancha
Sangra; e o breu se recompõe
Necessidade mista que volta sempre

Cortante,a alma se aprofunda no ambiente
Concorre,marca seu local
Cheira,toca,sente: o que ainda é seu por direito divino


 

R o m a


Vejo olhos baços,despropositais
Absorvendo o mundo
E sinto sinapses,como minhas
Degustando pensamentos

Sangra um dedo,ao encostar num outro
Promessas são invalidadas em instantes
O tempo,aprazível,escorre
E nasce novo homem  do casulo que desliza  no  cosmos

Sorves a essência alheia
Mantendo a nudez escancarada
Enquanto guarda o negrume do oculto

Mastigas orações na etérea ceia
São as horas finais de uma vida passada
E resume-se tudo numa palavra de quatro letras


                                                                      

segunda-feira, 4 de abril de 2011

M n e m o s y n e


── Quem és?
O eco repetia a pergunta
Mas não havia resposta.
Talvez porque não soubesse ou então não queria dizer.
 
Já não via sua imagem 
Apenas enxergava minha própria feição refletida n'água 
Tentando compreender o mistério 
Da mente,das vísceras e do coração
  
Um líquido tenebroso escorria da minha alma 
E eu sei que ela podia queimar 
Até que se tornasse escasso

Porém,permanece um ser translúcido 
Exclamativo em suas delimitações
Cercadas de penhascos