domingo, 4 de maio de 2014

Joguei ao mar uma moeda
Perdeu-se na imensidão
Não era fonte dos milagres
Era sinônimo de ilusão
Sentei na praia, observei
Não sei que mal um dia farei
Pra anular todos os efeitos
Do trágico mel que extraviei

                                      À Leonardo Mendonça

sábado, 3 de maio de 2014

Empatia


Meu cérebro dói. Milhões de neurônios morrem, resultado de muitas noites mal dormidas. Em meio à multidão, olho para o alto e vejo uma cruz grega ── simétrica, com seu lado horizontal de medida equivalente ao transversal. Minha consciência clama, fragmentada. Estou nua e exposta  ── será que devo demonstrar algum sentimento de pudor? Eu sou o rei, a rainha e o escravo. Carrego em mim o peso de suas ações, cumulativamente a dor de suas chagas. Mal de ser um espírito livre carregado de grilhões. Rejeito moldes, sei que o Espírito do Mundo existe. Mil deusas morreram e diante delas está meu coração, que se partiu. Espera, amante. Meu desespero é conceitual.