domingo, 17 de novembro de 2013

Segredo


Te mostro minha dúvida
Te mostro meu tesão
Te mostro a minha cara e a minha compaixão
Te mostro o outro lado, te mostro o redentor
O cristo só no nome, desaparece no amor
Estático comento, estático sou mais
Sou mais de um por vez, sou mais de um em ais
Imóvel, me rendo
Conversas em camadas
Os símbolos, escadas
Escalas literais


‘Não sei de suas dores, senão pelos seus gritos’
 Não sei de seus amores, a não ser por gemidos

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Terra em Transe



Deus Pai Misericordioso, peço aos céus que me abençoes, peço aos céus que não me rejeites como Sua filha, despojada de bens e de vontades fúteis.


Execrado coração perfurado de espinhos
O calvário não me parece tão longe
E as pedras pontiagudas do caminho
Perfuram a sola de meus pés

O calor e o frio mesclam-se
Despoja da minha alma o gosto
E a leveza natural do meu ser
Por pessoa que sequer nota
O quão maldosas são suas palavras
Que inserem o desgosto,a tragédia

"Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste
Se sabias que eu era fraco
Se sabias que eu não era Deus"

Quero cair de um penhasco
Quero cortar meus braços
Quero dissecar minha carne
E colocar-me numa mão
Que te entregue o que resta de mim
O resto tão retalhado de mim
Para que te prove quem sou
Para que degustes quem sou
Para te mostrar que o meu ser
Mesmo retalhado
Ainda persiste
Mesmo dissecado
Persiste,resiste
Mil vezes injuriado
Ainda se encontra perante de ti
Ainda insiste na ideia de ser
Somente teu

Enquanto o teu oscila entre os desgostos
Enquanto o teu quase desiste em qualquer situação

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Escorbuto

Com gula, tento suprir a necessidade
De ferozes respostas,que não tenho
Nem terei daqui muitos anos
Não conheço ninguém
Não sei sobre o que discorrem
Não sei lidar com o que ocorre

Quem sou eu que não me meto?
Quem sou eu que não me submeto
à vertigem,à viagem,
ao mergulho de insanidade?
Quem sou eu que não me entrego,
Nem me descarrego?
Onde está o meu emprego?
Qual é meu endereço?

Meu nome, se me perguntam,
Não respondo,nas rodoviárias da vida
Entupidas de segundas intenções
Ralos cheios de erros
Animais sem nenhum desvelo

Estou morta
Roubaram minha identidade
Não sou mais pessoa física
Não entrei pra faculdade
Me xingaram de idiota
Jesus Cristo está comigo
Quem sou eu que não denoto
Nem sequer indignação?

No entanto, existe ódio
Raiva vem de não sei onde
Me tornei o opositor
A tudo e ao histórico
Das chacinas contra meu ser
Que me levaram à morte

Quem sou eu que não remeto
As cartas que principiei,
Os cartões que em mim guardei,
As palavras enterradas comigo?

Necrotérios por expelir da boca

Quem sou eu que não tive coragem de dizer
Por medo de magoar quem me magoou?
Por medo de me anular ante quem não tem ardor?

Estou cega
E a inspiração que em mim escorre
Quase seca sem um molde
Desanuvie o seu coração,
Assuma a sua paixão,
Viva e grite para ela:
a Literatura.
Alma minha que se tornaste arcaica
Traindo teus movimentos senhoris
Traindo teu baixo-ventre puro e doce
Traindo a mim e a ti
Fugindo aos traços formais
Tradicionais abraços meus
Renegaste a mordaça inquisitória
Agarraste o passado como teu
Escusado dizer que retornaste
Para se revelar plenamente como Eu