sábado, 30 de julho de 2011

Aguardente

Não encontrei lugar nos assentos vazios
O vibrar do tempo tiquetaqueia nas horas
Que,formando os anos,erram
Um milhão de palavras de significados luzidios

Se acaso o corpo da terra saiu
Com o sonoro instrumento de tua fala
Em teu peito exasperado encerras
O todo do demônio que te aturdiu

E a todos os anjos recorrerias
Se a degradação da vontade não esperasse
No fel meretrício que me confundia

Satisfeito,pelo semáforo das cores entrevias
As Leis do Direito que o túmulo escalava
Embalado por olhos e dentes de harpias


quarta-feira, 27 de julho de 2011

Destro

Declinando sobre o livro,endireite a página
Pense no  personagem  das  palavras-chave
Que chicoteia as águas com lembranças sólidas
Doando coração,estômago e baço.
Respirando um ar puro,direito inviolável
Mirou e apreendeu o dorso da parede estática
Cheirou vasos de flores de aromas ácidos
Absorvendo o estilo com sarcasmo rápido
Enviando mensagens de um jeito esporádico
Rasgando leis morais com cortes hemorrágicos
Esvaziou aos poucos o pulmão foliáceo
Orquestrando concertos em lugares insondáveis
Pensando e repensando músicas irredutíveis
Segundo por segundo,irrecuperáveis
Orelhas eriçadas feito um cachorro macho:
Perfume por perfume,prendido a feixes lassos
Chacoalhou lampejos de amor como ruídos rasos
Beijou plumas macias de resíduos tóxicos
E leu você em mim como um arbusto tácito


PS:  Não,não foi o intento escrever à la Chico Buarque (a culpa foi da fumaça dos cigarros da minha tia).

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Nuance


Só a Verdade salva
E a justificativa está intrincada à própria carne
Disforme e cru,clamando  por independência e liberdade
Efetuando-se em pulsos e dores

Palavras  incendiárias  se  espraiam  pelo ar
Exalando  sua fumaça  adocicada
Derivam-se,estouram o mundo
Estouram a pele,estouram a carne
Fazem-se nuvens  em tempestade

“Tanto se prende ou se liberta?”
Relíquia seleta,nem tudo nasce para ser títere
Perceba o eco  concomitante  causado
Em seu próprio ser,ensaboado
E entenda

Surpreenda-se:
Penhascos não são tão profundos
Se eu os transponho
Tramitando por caminhos espessos e imundos
Um acessório,são somente um acessório
Evitando a afabilidade compulsória

E,afinal,é você quem  encontro
E finalmente tem-se a graça permanente
Minhas espáduas languidamente disponho
No espaldar  azul do infinito