sábado, 28 de novembro de 2020

Natal(ia)

À Ivana Kerr


No dia do meu nascimento, minha cabeça 

saiu rolando por aí. Ela caiu da bandeja 

em que estava entregue. 


O resto do meu corpo continuou,

sem cabeça. Mas meu cérebro, 

rolando, abria-se...

Era uma explosão difícil de conter.


No dia do Meu Nome, 

fragmentando-me me assumi

Nova maneira desencaixada de existir

Libertas Quæ Sera Tamen 
(Liberdade ainda que tardia)

sexta-feira, 26 de junho de 2020

Prosa revisitada

À Ana Paula Vasconcelos

Hoje foi criada a deusa da necessidade. Descobri tempos depois que o fim estava no início. Os flashbacks continuam vívidos e as cenas, lentamente exibidas. O mais puro clichê do sentimento humano. Sou humana, sei que também és. Mas não joguei tudo fora, os versos começam a simbolizar o ocorrido. Ninguém é obrigado a saber.


Tese e Antítese em você andam lado a lado. Continuamos sendo água, mas a onda bateu nas pedras. Erosão. Não me preocupo mais em seguir reta ou torta, só seguir continua delicioso. 

Preciso experimentar a forma. Eu não fumo há meses, e tenho pensado muito de mim em você, e vice-versa. 

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Poema da purificação
(Carlos Drummond de Andrade)


“Depois de tantos combates
o anjo bom matou o anjo mau
e jogou seu corpo no rio.
As águas ficaram tintas
de um sangue que não descorava
e os peixes todos morreram.
Mas uma luz que ninguém soube
dizer de onde tinha vindo
apareceu para clarear o mundo,
e outro anjo pensou a ferida
do anjo batalhador.”