quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Escorbuto

Com gula, tento suprir a necessidade
De ferozes respostas,que não tenho
Nem terei daqui muitos anos
Não conheço ninguém
Não sei sobre o que discorrem
Não sei lidar com o que ocorre

Quem sou eu que não me meto?
Quem sou eu que não me submeto
à vertigem,à viagem,
ao mergulho de insanidade?
Quem sou eu que não me entrego,
Nem me descarrego?
Onde está o meu emprego?
Qual é meu endereço?

Meu nome, se me perguntam,
Não respondo,nas rodoviárias da vida
Entupidas de segundas intenções
Ralos cheios de erros
Animais sem nenhum desvelo

Estou morta
Roubaram minha identidade
Não sou mais pessoa física
Não entrei pra faculdade
Me xingaram de idiota
Jesus Cristo está comigo
Quem sou eu que não denoto
Nem sequer indignação?

No entanto, existe ódio
Raiva vem de não sei onde
Me tornei o opositor
A tudo e ao histórico
Das chacinas contra meu ser
Que me levaram à morte

Quem sou eu que não remeto
As cartas que principiei,
Os cartões que em mim guardei,
As palavras enterradas comigo?

Necrotérios por expelir da boca

Quem sou eu que não tive coragem de dizer
Por medo de magoar quem me magoou?
Por medo de me anular ante quem não tem ardor?

Estou cega
E a inspiração que em mim escorre
Quase seca sem um molde

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